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Vattenfall - seja lá o que isso signifique...

  • Writer: Bê Sant'Anna
    Bê Sant'Anna
  • Mar 28, 2010
  • 2 min read

HALBMARATHON FINISHER, diz minha camiseta amarela.

Hoje.

Corremos os 21km da Meia Maratona de Berlim. Em um frio de congelar pirulito, saímos quase sem agasalhos rumo à largada da prova que aguardava 26mil pessoas.

Primeiro, largaram as crianças. Em uma prova paralela de 3,5km. Depois, os patinadores. Que intessante vê-los deslizando pelo asfalto, num movimento constante, exercitando o que nos parece ser uma suavidade de movimentos...

E chega nossa hora, bem depois. Foi o que nos pereceu, por causa do frio. Iniciamos correndo ao lado do pelotão que disse na inscrição da prova que faria cerca de 2 horas de corrida. Acontece que é muita gente. Não é como uma prova de 10km em BH, que depois de alguns minutos de prova, não há muitos corredores ao seu lado. Não. O pelotão é vivo, é massa, cavalga junto, em bloco. Se pode ouvir o asfalto sofrendo a cada passada, acusando as pisadas, sustentando a pressão. Mesmo com o Ipod em um volume considerável é possível ouvir a passada do bloco da

multidão de corredores sincopados, sincrônicos, simbólicos.

Sim, os simbolizo. Simbolizo a idéia da corrida, nos vejo papel onde uma poesia está escrita, onde uma poesia se encontra inscrita. Uma vez me disseram: uma poema na gaveta não existe. Só existe, quando sai da gaveta e é lido por outro.

É: parece que os corredores são poemas saindo das gavetas. E se inscrevem no mundo, a cada letrapasso, a cada passado ponto, vírgula, aspas. A cada quarteirão, versos inteiros se traduzem cantos, que finalmente são ouvidos, retumbando no peito de cada arfante expectator-escritor-discurso. As palavras se confundem, os versos também. São muitos discursos juntos, entoando a marcha. Ouve-se todo o contocantolamento dos pés-letras no papel do asfalto.

E tudo vira linguagem em cores.

Posso dizer que é lindo. Posso dizer que é emocionante. Chega a ser incrível, no sentido mais amplo da palavra. É por isso que corro, hoje.

Na foto, uma das três mágicas recompensas do dia, no almoço com meus irmãos de Brasília e meus pais de Brasília (é uma outra família que tenho lá).

Só para o registro, outras duas mágicas recompensas foram: ter saído da gaveta juntamente com mais 25.999 pessoas e me feito poesia a cores, e ter batido na mãozinha de três crianças de aproximadamente 3 anos cada, que estavam junto aos pais, junto ao público que compareceu na lateral da pista para ver e sonhar a prova, e participar da leitura de uma poema em Berlim.

 
 
 

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