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Tango

  • Writer: Bê Sant'Anna
    Bê Sant'Anna
  • May 30, 2012
  • 1 min read
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Tango.

Eu Tango.

Tango escolha, marcação, ando marcado pelas mazelas do tempo.

Só sentimento, só pulsação.

Na milonga da vida, o círculo do nosso salão ainda chega ao lugar onde nos encontramos.

Sapatos de couro, o couro da pele, seu salto nos deixando pra sempre no piso da pista.

Delicadamente desenho com o bico do pé: espora que fere gillette o terreirão de minh'alma.

Bandoneón que chora.

Que grita silêncio com a mão no vidro do ser.

Encarcerado, pra sempre, no tango sangrento da gente.

O violino me empurra, suplica, aperto seu coração contra o meu. Síncope e ar rarefeito.

Peitos, desejos de arder.

Voltamos pra avançar, têmporas coladas, pessoas imantadas que sabem amar.

O Tango é escolha.

Anda comigo, anda.

O repique rascante da música para o tempo, mão aberta, dedos prensados contra a seda penugem delicada das costas.

Faço um oito com você. Eternamente num passo, o laço dos dois que anuncia, o nosso vazio, o tom do querer. O Tango é um jeito de ser.

Eu Tango.

Eu marco por onde passo. Eu laço. Eu terno.

Eu rasgo do seu vestido.

Outono inverno de mim, que escuto o vermelho do medo.

É cedo

pra parar de dançar.

imagem - pintura de Kathryn Renee: 

 
 
 

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