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Para Eliane Brum e Beatriz

  • Writer: Bê Sant'Anna
    Bê Sant'Anna
  • May 15, 2012
  • 2 min read
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Bem dito.

Eliane Brum escreve às segundas feiras no sítio da Época. Acompanho, com entusiasmo, sua sensibilidade e perspicácia, suas conexões contemporâneas. Nesta segunda última, quando tive a graça de ver minha filha depois de exatos 3 meses, Eliane me dá um lembrete, no meio da minha aflição:


"O que sou eu? Talvez o olhar terno para as duas escovas de dentes que repousam num copo de plástico na pia do hotel."

Sei da não permanência das coisas, Eliane. Sei mesmo. Já perdi meus avós, já perdi amigos, tios, pessoas importantes, já terminei um casamento, já terminei um quase-quase casamento (que dor!), já perdi amores... Já perdi projetos, já perdi amizades. Já perdi o respeito, o meu e o de outros..., tenho perdido ao longo da vida. Por minha culpa, minha tão grande culpa.

Tenho? Pera um pouco. O verbo é ter ou estar?  tem um quê de permanente e  de temporário? Me pareceu ato falho, né?

Mas... quero lembrar Thomas Mann, querida Eliane Brum: "". Por isso, quando vejo minha filha, sei o que NÃO vai morrer, o que não se perde, a independer das condições impostas "" ao meu encontro com ela. O documentário A Morte Inventada, sobre alienação parental, deixa claro o que não morre: O AMOR.

Há mar, minha filha. Há mar, Eliane Brum. Eu sei que vocês sabem disso, e sou grato por me lembrarem.

Ontem, quando olhei pra minha filha, acredito que o fiz igual a você com as escovas de dentes no copinho de plástico. E é tão lindo, e é tão terno, e é tão mágico e profundo, que nem sei... aliás, "sei" é da ordem da razão... não posso saber mesmo. O negócio aqui é sentir. E olhar, que é o que nos resta.

Filha, veja que curioso: . Chega a ser engraçado, né? Pelo menos no amor, como diz o poeta pop "temos todo tempo do mundo".

Também sou só meu olhar, Eliane. E sinto a mesma compaixão pelos que têm medo da morte, a pedir colo desesperados pelos feicebuquis da vida... Sou só meu olhar e a vontade poética de me redimir e de ser melhor em nome do Há Mar.

Leia Eliane Brum. Vai nos fazer bem enquanto estivermos aqui.

 
 
 

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