Lousa
- Bê Sant'Anna
- Mar 17, 2010
- 1 min read
De modo um tanto seguro, um tanto titubiante, escreveu na lousa enquanto a menina entrava na sala de aula:
""
Ela nada entendeu.
Ficou esperando resposta, queria obviedade, queria matemática, queria a razão das palavras. Ele, domesticado no interlúdio de grandes movimentos, sabia a importância da pausa, do respiro, da distância entre o zero e o um na construção algorítmica...
Ela olhou para o quadro, olhou para ele, olhou para o quadro, e não enxergou nada além da forma. Ele olhou para ela, olhou para ele, olhou para o quadro e pulou na piscina verde de letras brancas.
Nadou entre as palavras, mergulhou nos sentidos, espalhou letras. Juntou significados a nossos in-significantes sentidos. Saiu molhado de tanto desejar compreensão.
, pensou. E resolveu deixar o pensamento de lado, desistir de ser pensamento, dexistir de ser: pensamento.




Comments