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  • Writer: Bê Sant'Anna
    Bê Sant'Anna
  • Jul 22, 2011
  • 1 min read
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Chegou em casa, parou o carro na garagem.

Desligou o carro, abriu a porta, a luz interna do veículo acendeu.

Fez-se silêncio.

Fez-se o silêncio.

Por um momento, se esqueceu de respirar.

Quando se lembrou, o fez calmamente, sem barulho.

Tudo fora era escuro. Só havia luz na parte interna do carro.

Imóvel, não sabia o que fazia.

Não descia, não fechava a porta, não pulava do veículo, não buzinava.

Não ligava o rádio, não olhava em volta, não suspirava, não estava.

Mexeu os olhos para baixo, viu os pés sombreados pelo volante, em baixo do painel.

Voltou a olhar para cima, só via escuro através do para-brisas.

Fungou.

Esperou até que algo acontecesse.

Talvez alguém aparecesse, talvez alguém viesse, talvez o portão eletrônico fosse finalmente acionado.

Não foi. Não era, não tinha, não vinha, não estava.

Engoliu saliva.

E esperou mais um pouco.

Se lembrou de quando era outro. Luzia.

Se lembrou de quando estava.

E desejou que alguém chegasse, viesse, acionasse, acontecesse.

Depois de mais de três horas, quando parecia que a luz interna finalmente ia fraquejar, saiu do carro, com medo da vizinha do oitavo andar.

 
 
 

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