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“E o albino Hermeto não enxerga mesmo muito bem”

  • Writer: Bê Sant'Anna
    Bê Sant'Anna
  • May 13, 2015
  • 2 min read
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Paul Gauguin, Cole Porter, Claude Levy-strauss e Caetano Veloso talvez estejam certos. É preciso um texto sobre a Baía de Guanabara. Revolto-me. Expurgo o lixo, expurgo o luxo, e decido a mar, em francês. O gênero feminino é muito mais próprio para o leite materno, as águas da mãe terra. O mar nada diz para mim. A mar, sim.A Baía de Guanabara, o seio do mar dá de mamar a poetas e cantadores e só. O lixo e o luxo roubaram suas pérolas. Eu não. A vejo, a concho, ostro-a em meus pensamentos poéticos de romântico incorrigível. Basta dizer que minha irmã mora em Botafogo. Nome próprio de um bairro habitado por minha ígnea irmã.A amo em suas decisões. Há mar em cada uma delas. Gabriela, nome de quem sobe em telhados poéticos, é mesmo um tsunami que habita o Rio de Janeiro. Queria que ela pudesse andar suas ondas a pé nas noites quentes cariocas, mais do que pode ou consegue, queria que o Rio fosse só mesmo uma calçada portuguesa no imaginário das ondas que vem e vão como a garota de Vinícius.O luxo descaracteriza a inocência poética. Se eu fosse o Super-Homem da canção do amigo de Caetano Veloso, expurgaria o luxo da Baía, antes mesmo do lixo, seu subproduto obnóxio. Limparia as calçadas todas de pedras portuguesas com a inocência do simples, a beleza da saia rodada, a sabedoria do chapéu de palha e a perenidade do linho. Por quê? A malandragem é filha do luxo com miséria. E eu a quero palavra morta, sendo levada pelas ondas calmas e disléxicas da Baía de Guanabara, para as profundezas do útero de Gaia, onde não há dicionário porque silêncio.Silencio. E me prostro diante do Redentor que abençoa a mim, a minha irmã, o malandro e a Baía, da mesma forma, pedra preta, bruta, inexorável, definitiva. Não há mesmo palavras que consigam dizer o Rio, sua mata, sua Baía, seu seio, sua poesia.

 
 
 

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