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As cartas não mentem

  • Writer: Bê Sant'Anna
    Bê Sant'Anna
  • Apr 3, 2012
  • 1 min read
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Fui numa cartomante.

Ela me disse pra esquecer você.

Disse que tudo vai dar certo, que o amor é deserto, que o bem é o bom da gente.

A gente sente.

Sente na soleira da porta, sente na cama vazia, sente na mesa sem companhia.

Sente e espere o tempo mandar.

O tempo tem pó.

Voltei a sentir asma, voltei a saber dos meus pulmões,

a cartomante não vende balão de oxigênio.

Ô eu que suspiro.

Quando falta ar, é melhor se sentar.

Corre o vazio de existir pra fazer sentido e vira vento com seu movimento.

Somos só músculos, ossos, troços em fricção.

A cartomante não tem a cura não.

Cartas que adivinho, sopros da mente,

inspiro e piro, que suspiro é só da gente.

Meu coração é baralho, me embaralho esperando você cortar.

Aprendi a fazer mágica com as cartas do coração.

Em todas, sua foto pra quando você escolher tirar.

Quando tiro uma carta do peito, o jogo banguelo grita,

a criança chora, o velho agita,

e a brincadeira acaba para todo o sempre.

No baralho da cartomante, ninguém ninguém dá o morto.

 
 
 

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