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ah

  • Writer: Bê Sant'Anna
    Bê Sant'Anna
  • Jun 7, 2010
  • 1 min read

há uma pressão na alma,

falta de ar que suspiro,

há fatos

há flanelas sujas,

decanto,

desencanto

e sei sobreolhar

há um risco infinito na mente,

que faz meu vinil da cabeça voltar

há passeios pessoas,

pessoas passeios,

há regresso,

há anseios

há de haver,

há de ser,

a de ser,

há descer

há o verbo encontrar no lamento,

do tormento,

no meu caminhar

há balão azul,

ah, balão de oxigênio,

não me deixa sem ar!

há pro infinitivo,

há subjuntivo,

e imperfeito,

cega o olhar

ontem, vi a mar,

e nela não há

hoje, vi a mar,

e nela, turbilhão de desejos de arrebentação sem buscar praia

afogam-se os pensamentos,

esperança como bolha no fundo do oceano:

ninguém sabe ao certo se chega à superfície

ninguém sobe ao certo, se chega à superfície...

sou São Francisco dos peixes

que vivo, molhado,

não sei se bebo a água que serve de caminho para os que me cercam.

 
 
 

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