Sobre medos e campainhas
Ontem à tarde, passei no BH Shopping para olhar alguma coisa para o natal.
As pessoas já em clima de festa, de compras, a ansiedade de alguma forma no ar.
De repente, de roupas vermelhas com detalhes brancos, cabelo comprido, barbas longas e brancas, botas pretas, ele, o Papai Noel! Vinha caminhando lentamente pelo mall do shopping. Me chamou a atenção, tanto pelas duas "noeletes" que o acompanhavam, cada uma segurando um dos seus braços, como também o terço de madeira em suas mãos. Ele vinha lentamente, acredito que se elas não lá estivessem, viria um tanto debilitado.
E foi como um impulso. Pensei: acho que não vou ter outra chance! Ele já tinha dobrado a esquina do mall quando eu toquei seu ombro, gentilmente, e o diálogo seguinte se deu:
–
Ele se voltou, ainda de braços dados com as moças que o acompanhavam, e com um sorriso no rosto me ouviu indagá-lo.
–
–
- disse o bom velhinho.
–
...
E Papai Noel franziu finalmente o cenho, acompanhado pelas noeletes:
–
- ele perguntou.
–
–
- disse o bom velhinho.
...
Sorri, agradeci, ele se virou e voltou a caminhar.
Eu fiquei ali, só, parado e me lembrei do meu último encontro com ele, em Brasília, quando eu tinha apenas 5 anos de idade. Toca a campainha, eu escondo debaixo da mesa. Minha mãe me convence a abrir a porta. Com muito medo, é o que faço. E pra minha surpresa, Papai Noel não mais estava. Apenas um saco vermelho quase do meu tamanho, que eu trouxe com certa dificuldade pra dentro de casa e que espalhei pela sala de estar, enquanto abria tantos presentes.
Não sei bem se tenho sido um bom menino... Mas vai ver que é assim: Só com uma cartinha se pode pedir algo ao Papai Noel.
De qualquer forma, vou ficar atento neste natal. Vai que a campainha da minha casa toca?




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