Sobre idas, vindas e o silêncio água de Deus
Na ida conversamos quase que todo o tempo em francês. Minha prima tem um francês intermediário como o meu, apesar do meu estar mais destreinado. Tenho cuidado disso. Na volta, continuamos os assuntos da ida, com mais pausas dramáticas, silêncios confortantes e desconfortantes, revelações e confissões simples de quem tem intimidade pra isso e sabe do desejo do Bem. Sobre um assunto que durou muito, já na volta:
...
É aí que me dá o maior vazio, é aí que o real se apresenta mais cru, mais real, mais oco, mais menos:
pra quem? Pra quem mesmo eu devo ligar? Eu até sei pra quem quero, mas pra quem devo? Pra quem vou? Quem espera a minha ligação?
Silêncio no carro.
Este, nem confortante, nem desconfortante, apenas claro, límpido, verdadeiro, transparente.
Um silêncio água.
Toca o celular. Atendo e é Alessandra, esposa do meu primo:
Desligo. E minha prima:
Outro silêncio água.
Engraçado como Deus liga pra gente até pelo celular, né?




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