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Sapatinho de Cristal

Writer: Bê Sant'Anna
Bê Sant'Anna
May 26, 2014
1 min read
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Olha. Vê. Atenta aos sinais do Tempo, que nos sussurra segredos. Somos-nos nossos, nossamente únicos. 

Amarantados, amorecemos.

Existe um tipo de ilha que tem mar de amor em volta: chama filha. E queima.

Para ela navego perdido, querendo me desencontrar. Sou nau a deriva, nesse há mar vasto e casto. Remo com as mãos, remo com os pés, remo com os dedilhos nos teclados do mundo, em busca da música perfeita. Remo cabelos da menina, encaracolados, enborboletados, Borboleta do Mar.

Há espumas que nem sei.

De tanto chorar pra dentro, emareei-me. Há mar fora, há mar dentro. Hoje, calmaria, aguardo o meu amigo Vento. Disse-me outros segredos, amigo do Tempo que é: 

Três amigos de mãos dadas. O Tempo, o Vento, a Mar.

Porque em francês, Mar é palavra feminina, de tanta gestação: peixes, filhos, alimentos, juras, poemas. 

Talvez o Vento tenha esposado a Mar. Deles, nasceu o Tempo, que brinca amigo da minha filha, cuidando dela, meu tesouro, pra um dia me entregar.

Eu só deito em sua praia, e faço carinho na areia onde deixarei pegadas.

 
 
 

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