res posta
- Bê Sant'Anna
- Sep 10, 2010
- 2 min read
me perguntou Brenda, na frente da outra apresentadora da campanha e da maquiadora.
Parei de escrever por um momento e me perguntei sua pergunta. Eu sei a resposta. Mariana, a outra apresentadora, fez algum comentário que não ouvi, Zizi, a maquiadora, replicou outra coisa que também não dei atenção, Brenda emendou algo que também não foi registrado. Eu sei a resposta.
- (ela disse pra todo mundo) ...
Eu sei a resposta.
Ontem, chegando em casa, minha amiga me chamou no skype, ela estava com um choro preso no travesseiro e resolveu deixar o travesseiro resolver o assunto, ele mesmo. Eu sei como é isso, travesseiro.
É difícil explicar o amor, coisa sem explicação. É difícil entender o tempo, rival do amor, medida do pulo da ponte, charada zen-budista. Mas eu sei a resposta.
Tirei os olhos da Brenda e voltei os olhos pro teclado do meu computador. Mesmo sabendo a resposta.
Ontem à noite, tentei dizer pro travesseiro da minha amiga que ajudasse de todas as maneiras, que a abraçasse, que a fizesse chorar, e que ele bebesse seu choro, sal da gente, que precisa sair do nosso mar que transborda em ressaca... Que droga, eu sei a resposta.
Falei pra ela do Vento que não se vê, do olho da gente ventando, do nosso coração que inVenta, Deus em com-provação do muito existir. Pedi a Deus que ventasse seus travesseiros, e que as penas de ganso viessem salvá-la do silêncio da noite, dançando no quarto, envolvendo menina, ninando em carinhos, dando colo, pintando estrelas, tocando caixinha de música, árvore que balança, berço que balança... Afinal, não adianta: eu sei a resposta.
E com tantas respostas indizívies, só me resta a pergunta, cadenciada, quase em silêncio, que o travesseiro se faz:




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