Propósito
- Bê Sant'Anna
- Jun 20
- 2 min read

Todo motivo nasce de um movimento.
Qual é o seu?
Uma dor, um vazio, um amor, uma perda, ou quem sabe uma pergunta?
Você já parou para pensar o que move uma pessoa? O que faz alguém sair do lugar? Ou o que faz alguém permanecer? Para falar de movimento interno posso pensar na fagulha, na inspiração, no impulso. Porque não existe movimento exterior sem um movimento interno que o antecipe. Tenho para mim que a palavra alma está umbilicalmente relacionada a isso. Você sabe: aquilo que anima, que põe a mover. Do latim animus: sopro, movimento interior, princípio vital. É o que nos move por dentro. Talvez por isso certas pessoas caminhem mesmo sem compreender exatamente para onde estão indo.
Se “motivo” é aquilo que move, o “propósito” nos fala da direção do movimento. Porque etimologicamente falando, propósito é aquilo que se coloca adiante. Do coelho, a cenoura. Do bebê, o peito da mãe. Do político, poder? Do filósofo, a sabedoria. Para mim? Eu responderia o Bem, o Bom, o Belo. Não, três bês não é um olhar sobre o próprio umbigo. É a vontade de compreender que os Valores fundamentais do ser humano valem ser perseguidos.
Propósito é aquilo que colocamos diante de nós. Mas não apenas uma meta, uma direção de sentido. Porque se também formos perscrutar o sentido por trás da palavra meta, vamos descobrir que não é o ponto de chegada. É o que se atravessa. Assim, esse erro contemporâneo do propósito ser o lugar de chegada não pode persistir. Porque o propósito é aquilo que não nos faz desistir, não o lugar que queremos chegar. Será que não estamos esvaziando o significado de propósito?
Suspeito que o propósito é, em última instância, uma forma de caminhar. Porque isso me fala do hoje, do agora, da ação, do sendo. Caminhando descobri que a transformação não ocorre quando chegamos. A transformação é a travessia. Permitir-se estar em processo é aceitar o propósito como condição da jornada. Ou não?
Sabe porque eu acho isso mágico? Porque em 1997, quando fui orador da minha turma de comunicação na PUC-MG, decidi fazer o discurso em Poesia de Cordel. Foi o primeiro discurso de orador em Poesia de Cordel da PUC Minas, pelo menos. Lá, essa questão já estava dentro de mim. Encerrei o poema com o seguinte verso: “...se o movimento for fim, então aprendemos a andar.”
Talvez seja por isso que continuo caminhando com peregrinos. Não para ensinar respostas prontas, mas para ajudar pessoas a escutarem aquilo que as move.
No fundo, há quem encontre um destino, quem encontre uma profissão e quem encontre um caminho. O mais raro é encontrar presença suficiente para transformar motivo em próprio propósito. Mova-se.



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