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Peixes

Writer: Bê Sant'Anna
Bê Sant'Anna
Oct 8, 2012
1 min read
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Há um poço tão fundo que não vejo o fundo. Há um silêncio guardado, um suspiro. Há sem medida, um barco a deriva. Um horizonte sem referência, um barulho de água lambendo o casco. O sol perdeu seu rumo, não morre nunca mais, assim, nunca, cadê minha lua? De tão fundo o poço, comecei a jogar as moedas todas, fazendo pedido, olhando-as... somem, como somem, subtraem-se do meu olhar. Moedas sem valor. Pedidos perdidos no poço dos desejos.

Posso dos desejos?

Mas estou ali, no poço, no fosso, no barco, na deriva do eu que bóia pra não afogar. Acho que não sei nadar. Tudar? Não. Nado-me.

Só, sou casco a deriva salgado, no fundo da água morna que se evapora ao sol, que rodopia esquecido no céu.

Em que fundo estará o cardume pro-me-tido?

 
 
 

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