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Olhe dentro do armário quando for dormir

Writer: Bê Sant'Anna
Bê Sant'Anna
Sep 13, 2012
1 min read
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Posso falar sobre a solidão?

Sólida ida, hão de dizer, para sem-pre-ferida instalada na alma da gente.

A gente sente. Que há outro. Couro. Canto. Choro.

Meu couro curtido não curte. Terra batida não mente. O sol seca o caminho por onde passo. É quente o solo, é quente eu solo. Solo que trinco nas beiradas do ser, no encontro com o outro. A água escorre entre nós sem que saibamos molhar-nos-nus, revestidos da chita da ingênua incompreensão.

Meu pensamento é uma cortina de fuxico. Não sei se abro. Não sei, se abre.

Há um pedaço de mim no mundo que cresce sem que eu estrague.

Há um vazio no mim profundo que eu sem medida-de-ser.

Há um jeito de olhar no caminho que diz: pais agem.

Ficar parado nunca foi fazer nada.

Ouço passar, todos os dias, os passos que a levaram para de mim distante, para sempre.

E o berço vazio grita na noite sem bicho-pai-pão.

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