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O dia em que morri

Writer: Bê Sant'Anna
Bê Sant'Anna
Sep 19, 2013
1 min read
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Morri hoje, pela manhã.

Sem que esperasse, sem que soubesse, 

sem dar notícia, 

sem palco, sem terno, sem lastro, 

sem medo, sem tudo, 

morri.

Fui hoje noite, de dia.

Amanheci, tomei café e fui morrer logo cedo.

Morri feliz.

Não tinha flor, não tinha odor e nem platéia.

Não tinha médico, não tinha cético, não havia crente.

Me fiz semente, morri somente.

Morri.

Me fiz maior, mor, 

ri de mim mesmo.

Foi num átimo, préstimo, servi pra algo: morri.

Morri eu, comigo, mesmamente,

morto completamente em vida. Morte.

Quando vi VIDA e MORTE juntas pela primeira vez eu li:

vidAMORte.

Ciclo tímico, tácito, 

me vi pétala em sua mão.

Minha filha flor e eu

arrancada vida em sua palma com um simples gesto de amor:


E eu, nada, escorri. 

Esvaí-me sentidos todos, múltiplos, numa morte linda e pura e louca e intensa e imensa.

Nudação.

E renasci pelado pai, sorriso só, 

na boca menina de minha filha

Beatriz.

 
 
 

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