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No Lago Negro sonhando com minha neta

Writer: Bê Sant'Anna
Bê Sant'Anna
Sep 20, 2014
1 min read
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Com pai, chão.

É o que sinto. É o que sei.

Ninguém que lê sabe mesmo por onde andei.

Senti Caminhos. Sobrevivi. Mesmamente.

O onde virou quando, o ontem se eternizou. Nas águas do Lago Negro, profundezas.

Sento-me à sua margem. Olho de soslaio a foto que me deságua. É bica. É pranto.

As marolas do desejo vem cá fazer margem. A grama não molha. O céu que emoldura a foto está impresso na superfície das águas. Às vezes, vemos. Às vezes, não vemos. É o Vento que fustiga a compreensão da gente. Mas está lá, escondido no movimento silente das parábolas líquidas.

Áquo-me enquanto percebo a presença gárcica do meu pai.

Ele espera imóvel a chegada de sua neta, enquanto observa o céu das águas. Calmo.

Calma alma ama. E respira.

Nada.

E o Vento não tarda a nos surpreender.

 
 
 

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