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De finições ou de iniciações

Writer: Bê Sant'Anna
Bê Sant'Anna
Dec 6, 2012
2 min read

Senti que é de perdas, porque acumulou muito

É de sobras, porque se doou demais

E só tem sobras quem não se guarda em nada

Só tem para dar quem nunca se negou

E vive do bem e do mal de se entregar.

Se entrega permanentemente, mesmo que em vão,

para não ficar no guarda-roupa feito roupa de frio em tempo de calor

Para não virar mofo em gavetas de sobrevivência

Se entrega para não virar passado

Quem sabe quantos passos?

Quem sabe se não foram nos passos perdidos que se encontrou?

Quem sabe se não foi ao se perder que se capturou? 

Quando você planta muita estrada pelo caminho

É natural que colha algumas lições.

São nas passadas que imprimimos nossa marca.

Ás vezes, os rastros são de asas em vôos que inventamos na viagem

Por outras, deixamos palmos impressos no chão,

Trechos percorridos

Passo a passo, como convém a quem anda todo dia.

E anda todo dia atrás do seu próprio sonho sem parar.

E aprendeu a amar a estrada, a viagem, a caminhada.

Foi amando como quem não sabe o roteiro, mas seguindo a viagem

Foi sangrando sentimentos,

Abrindo trilhas, desenhando atalhos.

Caminhará sempre porque esse é seu jeito de não ficar cansado.

Assim me definiu, com um só encontro.

Assim me definiu com muitos textos lidos.

Quantos somos? Quem somos? Quantos eus nos acompanham?

Conversamos sobre dEUs, sobre o nada, sobre o vazio, sobre o medo.

Conversamos sobre o encontro dos dedos.

"Rapte-me, camaleoa", diria Caetano Veloso sobre este encontro sutil.

De certo modo, raptou. Com sentimento.

Quando abrimos nossa caixinha de pandora, descobrimos: era só caixinha de música.

O encontro com o som, as pálpebras naturalmente abraçaram os olhos e a noite se fez, campo das estrelas.

O vento alisa as estrelas, vento do espaço.

A resignação nos faz lembrar quem partiu, declarando nunca mais voltar. Com sentimento.

Quando o dia amanhecer, vai ser mais uma estrela que vai brilhar nos meus sonhos, acordados ou não, de cor, certamente, e colorida como o reflexo dessa bola de sabão de nome Encontro.

(

)

 
 
 

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